segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Artista



No centro da cidade, destacado da multidão

É aquele? (aponta)

Cuidado...

- Um granado, um saco, um punhão!
... já lhe aviso de antemão,
 que artista é perturbado, vive de outra geração

- Poe no saco açúcar, feijão, um pouco de pó!
... que artista é perturbado, fuça tudo no brechó

- Quanto deu, por favor?
... que artista é sedutor, todo tempo canta o amor

- Obrigado menino João!
... mas não ama você não, ama toda inspiração

...olha o jeito que ele anda
...olha como ele se veste
 - Que artista é como peste, nossos olhos apetece

... faz café a moda antiga
se interessa por detalhes da vida
reflete no tempo da água, do filtro, do pó...

- Mas pai (interrompe a menina)
  Isso é o que quero pra minha vida

... a filha (disse o pai entre orgulhoso e temeroso vendo-a decidida)
Es tu então uma causa perdida

2 comentários:

Amanda disse...

Que lindo Glauco!!

Priscila Lopes Franco disse...

Já pensou em dramatizar esse texto? Com narrador e cenário e tudo mais que tiver direito? rs... mas esse texto está bem próximo da realidade. Muito bom mesmo!