quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cão


Foi uma presença incrível 
Veio portando o coração
Os seus olhos eram de pedido
Mas certeiros de um retorno bom

Toquei com sede
Senti sua temperatura
Abriu-se em satisfação
Cheirou-me em gratidão

Trouxe paz a minha ansiedade animal
Ali ficou, fluiu natural

Terminado o contato
Deixei-o então
Sem reclamação, sem explicação
Ele seguiu para um lado, e eu ,modificado, na outra direção

Como me ensinou a entrega de um cão

4 comentários:

Leonardo Távora disse...

Tão sensíveis esses versos. Tocantes, profundamente.
Enfim, mais uma vez, parabéns!!!

Nahiana disse...

Estou arrepiada! Somente quem ama e respeita os animais tem tamanha sensibilidade! E parabéns Glauco, mais uma vez arrasando nos poemas! Simplesmente AMEI!

"Olhe no fundo dos olhos de um animal e, por um momento, troque de lugar com ele. A vida dele se tornará tão preciosa quanto a sua e você se tornará tão vulnerável quanto ele. Agora sorria, se você acredita que todos os animais merecem nosso respeito e nossa proteção, pois em determinado ponto eles são nós e nós somos eles."
[Philip Ochoa]

Dani Maria disse...

Doce como a alma de um cão!
Lindo!!

Ah, e a foto precisava ser de um narizinho né?! =)

Priscila Lopes Franco disse...

Quanta ternura desperta esse poetar! O interessante é que Olavo Bilac e Vinícius de Moraes escreveram sob o mesmo tema, mas que despertam sensações diferenciados. Olavo Bilac, em "Plutão" nos dá uma sensação de melancolia, já Vinícius de Moraes em "A Cachorrinha" desperta algo mais divertido, contagiante, como o que sentimos ao ver um filhote fazendo festa. Já o seu texto nos faz sentir um toque de carinho e ternura. Sr Wiltenburg, parabéns, o sr é grande!